Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso

Vida e obra de Ruth Cardoso

Antropóloga, professora universitária e pesquisadora, publicou livros e artigos sobre sociedade, cultura e política e fundou o programa Comunidade Solidária.

Rede Sol

Nas reuniões do Conselho da Comunidade Solidária foram também concebidos, desenhados e depois implementados de forma autônoma por organizações independentes alguns programas, que existem até hoje e que compõem a Rede Sol.

São programas que têm em comum a busca de soluções novas para problemas antigos, com planejamento adequado para chegar às metas propostas com independência na atuação e metodologias que permitam a participação de comunidades e a avaliação de resultados.

Esses programas também garantem alguns princípios práticos:

  • Transparência: com prestação periódica das contas das ações e dos recursos financeiros utilizados;
  • Monitoramento e avaliação: com monitoramento de processo e avaliações também periódicas para verificação da eficiência, eficácia e efetividade das ações.

PROGRAMA CAPACITAÇÃO SOLIDÁRIA

A Capacitação Solidária foi criada em 1995 como uma associação civil, sem fins lucrativos, que capta recursos junto à iniciativa privada e pública e instituições internacionais para o desenvolvimento de projetos de capacitação de jovens para o trabalho.

A sua missão é articular uma rede de parcerias para mobilizar e transferir recursos, tecnologias de gestão social e educação para fortalecer as organizações sociais que são as proponentes e executoras destes projetos.

Através de concurso são selecionados os projetos que promovem as atitudes e capacidades necessárias para o trabalho e oferecem uma formação cidadã. O objetivo principal destes cursos é garantir empregabilidade para os jovens e despertar o interesse em ampliar seu nível de escolaridade e seus conhecimentos, estimulando-os à construção de um projeto de vida onde eles próprios possam ser os agentes – empreendedores.

O programa Capacitação Solidária trabalha de maneira inovadora:
Demanda a participação das organizações parceiras desde a concepção do projeto e trabalha em conjunto com as equipes locais no planejamento estratégico das ações previstas.
Oferece normas gerais para todos os cursos com o objetivo de alcançar as metas previstas para a formação cidadã e qualificação para o trabalho.
Monitora e avalia os cursos procurando, quando necessário, redirecionar as ações para garantir as metas previstas.

Em onze anos de atuação, a Capacitação Solidária, em parceria com mais de 2.600 organizações capacitadoras, ofereceu cursos a 130 mil jovens brasileiros em mais de 300 habilidades profissionais, em 9 regiões metropolitanas.

ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA

A Alfabetização Solidária (AlfaSol) foi criada em 1997 como uma Organização da sociedade civil, sem fins lucrativos para diminuir os índices nacionais de analfabetismo e fomentar a oferta pública de vagas de EJA – Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Em salas de aula viabilizadas em localidades com alto índice de analfabetismo ou nas grandes metrópoles, jovens com mais de 15 anos e adultos que não tiveram oportunidade de acesso ou foram afastados dos bancos das escolas regulares são atendidos no processo inicial de alfabetização e iniciados no mundo do letramento.

O modelo da alfabetização adotado é simples, inovador e de baixo custo, baseado em parcerias com Instituições de Ensino Superior, governos locais e empresas. Já foi premiado várias vezes internacionalmente. Em seus 11 anos de atuação, a AlfaSol atendeu mais de 5,3 milhões de jovens e adultos e preparou 244 mil alfabetizadores, em 2099 municípios brasileiros. Hoje, a Organização conta com a parceria de 182 empresas e instituições governamentais e 108 Instituições de Ensino Superior.

UNIVERSIDADE SOLIDÁRIA

Para promover a vivência e o intercâmbio de conhecimentos entre estudantes universitários e comunidades de todo o país, atuando em parceria com empresas públicas e privadas, organizações e comunidades, foi criada em 1995 a Universidade Solidária (UniSol). Sua missão é articular e implementar projetos em que estudantes e professores universitários voluntários atuam para a melhoria da qualidade de vida das comunidades, promovendo o desenvolvimento social através de estímulos ao empreendedorismo e a liderança jovem.

Nestas iniciativas todos os envolvidos progridem: universitários adquirem complemento fundamental para sua formação; as comunidades têm novas oportunidades de acesso ao conhecimento, além de perspectivas de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida; enquanto as universidades podem exercitar e validar o conhecimento gerado intramuros, enriquecendo seus saberes. Até 2006, a UniSol envolveu 23 mil estudantes, 200 universidades, que desenvolveram projetos em mais de 1.300 comunidades brasileiras. Atualmente, são 19 projetos em andamento, mantidos por meio da parceria com iniciativa privada e órgãos públicos.

ARTESANATO SOLIDÁRIO

Idealizado inicialmente em 1998, tendo como meta gerar renda em municípios castigados pela seca, no Nordeste do país e no Norte de Minas Gerais, o Artesanato Solidário (ArteSol) ganhou autonomia em 2003 e expandiu sua ação para outras regiões, com o mesmo objetivo de geração de renda a partir do saber tradicional incorporado aos produtos artesanais.

Modalidades de atividades econômicas quase extintas foram valorizadas e revigoradas com apoios técnicos e parcerias, para oferecer oportunidades às comunidades. Valorizar a arte popular é a maneira de valorizar também o artesão e seu produto, incluindo-os no mercado.

O objetivo do trabalho desta equipe é promover o desenvolvimento local, aproveitar o capital humano existente e criar capital social integrando-os em circuitos de informações e em redes comerciais.

O Artesanato Solidário coordena a comercialização, divulgação e valorização da produção resultante desses projetos. O ArteSol já soma mais de 90 projetos desenvolvidos em localidades de 17 estados brasileiros, envolvendo quase 4 mil artesãos e 20 mil beneficiários indiretos. É a única organização de artesanato no Brasil que possui o certificado de comércio justo do IFAT (International Fair Trade Association).

PROGRAMA REDE JOVEM

O projeto Rede Jovem propõe a democratização do acesso da juventude às novas tecnologias em comunidades de baixa renda, adotadas para promover a interação e a expressão dos jovens por meios tecnológicos.

Os Espaços Jovem, salas de acesso gratuito aos computadores e à internet, espécie de telecentros, são viabilizados a partir da articulação e cooperação entre empresas (responsáveis pelo aporte de 47% dos recursos), fundações e Ongs (38%) e recursos públicos (15%). Os próprios jovens, capacitados pelo Programa, são os monitores e gerentes da sala. E a comunidade, por sua vez, é estimulada a se apropriar do local e a garantir sua sustentabilidade.

Ao oferecer oportunidades de familiarização e interação com as novas tecnologias, o Programa Rede Jovem acaba fortalecendo a participação social da juventude. São disponibilizadas aos usuários alternativas de cursos on-line de curta duração voltados para a geração de renda. A comunidade recebe orientação para otimizar o funcionamento dos Espaços, animados entre si por uma rede de atividades on-line. Os indivíduos sem contato prévio com computadores têm oportunidade de inclusão digital por meios das oficinas Ciberbanho®. As ferramentas interativas do site Rede Jovem possibilitam aos jovens desenvolverem discussões e atividades sobre temas de seu interesse, como gênero, trabalho e renda, meio ambiente, ética e cidadania, prevenção ao uso de drogas, saúde e sexualidade, raça e etnia.

Além de contabilizar mais de 50 Espaços Jovem e cerca de 400 mil pessoas atendidas em cinco anos de atuação, a Rede Jovem passou a oferecer sua metodologia bem sucedida a outras instituições, como a Prefeitura do Rio, que implementou 30 novos Espaços em escolas municipais em comunidades de baixa renda, e o SESC, que solicitou assessoria metodológica da Rede Jovem para seu projeto Internet Livre.

PORTAL DO VOLUNTÁRIO

O Portal do Voluntário é um projeto de internet que promove uma nova perspectiva de voluntariado, na qual o indivíduo participante assume o papel de protagonista de sua atuação por meio da tecnologia V2V, cujo nome remete ao contato direto “de voluntário para voluntário”. Formador de redes sociais, o Portal do Voluntário concretiza o fortalecimento do voluntário, permitindo que ele se comunique com outros, busque ou ofereça ajuda, além de gerenciar suas ações sociais com autonomia. Hoje, são 10 portais de voluntariado, com mais de 26 mil participantes, atuando em cerca de 3.500 ações. O crescimento se dá com a entrada de 50 novos cadastrados, em média, por dia.

Atualmente o V2V é considerado um benchmark para a promoção do voluntariado empresarial. Desde seu segundo ano de funcionamento o Portal foi convidado á se apresentar em conferencias e cerimônias de premiação em Estocolmo, Seul, Berlin, Kansas City, Nova Delhi e Barcelona.