Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso

Vida e obra de Ruth Cardoso

Antropóloga, professora universitária e pesquisadora, publicou livros e artigos sobre sociedade, cultura e política e fundou o programa Comunidade Solidária.

Em prol de uma sociedade mais justa

Cientista social comprometida com a causa dos direitos humanos, Ruth Cardoso participou ativamente, nos anos 1970 e 1980, dos movimentos da sociedade civil pelo restabelecimento do Estado de Direito no Brasil, notadamente, para que a temática dos direitos das mulheres fosse incluída na agenda da democracia brasileira.

Foi uma das fundadoras da Frente de Mulheres Feministas de São Paulo, em 1978, ao lado de Eva Blay, Maria Carneiro da Cunha, Carmen Barroso, Elza Berquó, Heleieth Saffioti, Fúlvia Rosemberg, Leilah Assunção, Marta Suplicy e Silvia Pimentel, entre outras.

Participou também do grupo que elaborou a proposta de criação do primeiro mecanismo de políticas para as mulheres na estrutura do Estado, durante o governo Montoro, em 1983, que resultou na criação do Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo.

Estimulada pela militante feminista, atriz e ex-deputada Ruth Escobar, integrou o grupo de fundadoras do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, então órgão do Ministério da Justiça. Atualmente, o conselho compõe a estrutura da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República, órgão responsável pelas políticas públicas de promoção da igualdade de gênero no Brasil.

Em seu mandato de conselheira, no período de 1986 a 1988, dentre outras ações, Ruth Cardoso foi autora de um parecer bem sucedido, que aconselhou ao então presidente José Sarney, o veto a um projeto de lei que criaria o Conselho Nacional de Política Populacional e que, temia-se, poderia converter-se em instrumento oficial de controle da natalidade. Na mesma época, esteve à frente da criação do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero, na Universidade de São Paulo (USP).

Nos anos 1990, Ruth integrou a Comissão Independente sobre População e Qualidade de Vida, presidida por Maria de Lourdes Pintasilgo, que apoiou uma nova visão dos direitos reprodutivos no marco dos direitos humanos.

Na qualidade de primeira-dama do Brasil, inspirou e apoiou, entre 1995 e 2002, políticas e programas públicos inovadores para a proteção à saúde das mulheres, a luta contra a violência doméstica e sexual, o acesso ao crédito e à moradia, à educação e à participação política.

Chefiou a delegação brasileira à Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher, em Pequim, em 1995, e promoveu a aplicação no Brasil da Plataforma de Ação aprovada pela conferência. Em reuniões e encontros de esposas de chefes de Estados e governantes das Américas, defendeu a adoção de políticas de promoção da igualdade de gênero como condição indispensável para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento social do continente.

Em 2000, chefiou a delegação brasileira à Conferência Pequim + 5, realizada na sede das Nações Unidas, em Nova York, onde apresentou os resultados das estratégias de promoção dos direitos das mulheres no Brasil.

Em 2003, foi indicada pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias, para presidir o Conselho sobre Mulher e Desenvolvimento, responsável pela definição das políticas e programas do BID voltadas para a eqüidade entre homens e mulheres.

A defesa dos direitos das mulheres e dos jovens, o fortalecimento da sociedade civil e da democracia, a promoção do desenvolvimento sustentável, a construção de uma ordem mundial mais justa foram os principais campos de atuação de Ruth Cardoso em prol da paz social.

No plano internacional, Ruth exerceu também um papel de liderança no movimento por uma ordem internacional e uma globalização mais justa. Além de conferências em universidades e outras instituições, Ruth Cardoso integrou o Conselho Diretor da United Nations Foundation e participou da Comissão da Organização Internacional do Trabalho sobre as Conseqüências Sociais da Globalização, criada por Juan Somavía.

Chefiou a delegação brasileira à Conferência das Nações Unidas sobre Habitat, em Istambul (Turquia), em 1996; a Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil, em Oslo (Noruega), em 1997, e a Conferência Mundial sobre AIDS, em Genebra (Suíça), em 1998.

Em reconhecimento às suas contribuições cívicas e humanitárias, Ruth Cardoso recebeu a Medalha Ceres, da United Nations Food and Agriculture Organization (FAO) e a Medalha Eleanor Roosevelt Val-Kill do governo norte-americano.